15 de janeiro de 2012

Soundgarden - Superunknown (1994)

Escolher cd's para levar na viagem, separar quais ficarão no carro, selecionar o que fica no mp3 player... Não importa, o Superunknown está presente na maioria destes meus itens. E é uma forma de se perceber o quanto um álbum é bom.
O Soundgarden, capitaneado pelo inquestionável talento de Chris Cornell, mostra uma maturidade musical que impressiona neste trabalho, uma harmonia muito bem arquitetada. A qualidade técnica do grupo é inquestionável, surgiram em meio ao grunge mas eu os coloco acima da maioria das outras bandas de Seattle. Superunknown trouxe também hits, acompanhados de climas depressivos e suicidas.
Meus destaques vão para Black Hole Sun (você já deve ter ouvido por aí), Spoonman, 4th of july e a faixa título.




Leonardo Milan.

5 de janeiro de 2012

Krisiun - The Great Execution (2011)

Passei um tempo pensando se escreveria sobre este álbum ou não.Vários outros blogs, zines e revistas já falaram sobre ele. Mas não posso deixar passar algo que pode se tornar um clássico, e os motivos estão descritos abaixo.
Antes mesmo de ser lançado já tinha a informação de que realmente seria uma obra de alto nível, um passarinho verde preparou-me sobre o que viria.
Realmente é um grande álbum. Sem abdicar da velocidade, do peso e da brutalidade, os irmãos Kolesne criaram músicas excelentes, algumas com inserções de viola gaudéria, outras com passagens mais simples para o que estamos habituados a ouvir do trio mas que não empobrecem em nada as músicas.
Na verdade é bem o contrário. Souberam somar esta simplicidade ao som da banda, formando várias partes que fazem qualquer fã de metal extremo já ficar bangueando em casa mesmo.
Do Great Execution tem-se que destacar o trabalho de guitarras do Moyses, inspirador. Todas as faixas são indispensáveis, mas vou destacar a The Extremist, The Will to Potency e Extinção em Massa, esta última conta com a participação do João Gordo, uma verdadeira porrada sonora, coisa fina!
O Krisiun gravou algo que, sem dúvida, já é item básico e se tornará um clássico do Death Metal.




Leonardo Milan.

7 de novembro de 2011

Nevilton - De verdade (2011)

Falar deste álbum é quase que como falar de uma parte da minha vida. Ir ao show desse trio é sempre voltar com histórias, sorrisos ou ressaca.
A música dos paranaenses de Umuarama sintetiza talvez um novo pop rock. Composições de altíssimo nível, algumas delas entoadas há tempos nos shows pelo país, outras um tanto mais recentes. Harmonias muito boas, vocalização extremamente competente.
Para aqueles que já viram a banda sabem que ao vivo é uma loucura interessante, com mudanças rítmicas e referências musicais diversas. Eu mesmo que gosto basicamente de um som mais pesado, nunca resisto à uma apresentação deles.
A grande diferença entre a gravação e as apresentações é que podemos nos atentar melhor nos instrumentos. Nota-se ainda mais que o Nevilton é um excelente guitarrista, arranjos impecáveis, assim como nas linhas de baixo do Tiago Lobão, isso sem contar os backing vocals que estão perfeitos.
Chega de rasgar seda, eles tem "nome de remédio" e suas músicas falam de relacionamentos à cerveja. Vá ao show, não se arrependerá.




Leonardo Milan.

17 de outubro de 2011

Anata - The Infernal Depths of Hatred (1998)

A Suécia é um verdadeiro celeiro de bandas de death metal, é de lá que surgiram Hypocrisy, Opeth, Arch Enemy, Dark Tranquility e outras tantas de grande importância para a música extrema.

Fora das rodinhas de nomes conhecidos, o Anata pratica um technical death metal de qualidade enorme, sem soar chato como a maioria das bandas do estilo. O álbum apresentado aqui é o debut do grupo, música para bater cabeça mesmo. Algumas possuem até passagens com som limpo, o que dá um charme mas não quebra o sentimento de brutalidade.

O trabalho de guitarras é muito bem feito, com um timbre ótimo. Destaques para Slain Upon His Altar que possui uma bela introdução e a totalmente viciante Dethrone The Hypocrities.

Álbum indicado para os fãs do gênero e uma boa oportunidade para quem não conhece começar a curtir.




Leonardo Milan.

3 de outubro de 2011

Rotting Christ - Triarchy of the Lost Lovers (1996)

Que tarefa árdua. Como escrever sobre aquele que considera ser o melhor álbum de todos? Sim, de todos os estilos, classes e sub classes. Como fazer para não parecer grandioso demais, a ponto de criar espectativas a serem destruídas? É claro que eu não sei. O objetivo aqui não é ser imparcial. Não queria falar sobre o Triarchy of the Lost Lovers, mas é algo totalmente inevitável.

O Rotting Christ surgiu no final dos anos 80 na Grécia. Bem natural que suas composições iniciais seguissem a linha da época, mas aos poucos a banda mostrava-se diferenciada, e em 1996 consegue um contrato com a Century Black, uma gravadora com um porte maior daquelas que mantinham vínculos, que possibilitou uma produção bem melhor que as vistas nos dois álbuns anteriores.

Para a galera que foi criada na base do ovomaltino as músicas podem parecer "secas" demais, devagar ou sem barulho. Mas é na simplicidade que este LP se sustenta, nada de virtuosismo ou baterias à velocidade da luz. As composições possuem uma harmonia indescritível, as guitarras praticamente falam com o ouvinte, os vocais deixam transparecer a sinceridade contida em cada instrumento da banda. Ali estava algo que foi descrito como Dark Metal e já falamos disso por aqui. Andy Classen assina a produção do mesmo (Krisiun, Graveworm, Tankard...) e é óbvio que fez um trabalho e tanto.

Vejo o álbum como uma referência de boa música e bom gosto, e isso não apenas para os bangers de plantão. Um verdadeiro clássico recheado de riffs empolgantes e solos marcantes. O Rotting Christ jogou onde menos é mais e o feeling impera sobre qualquer forma malabarismo instrumental.

Segue uma parte do show da turnê em 1996:





Leonardo Milan.

28 de setembro de 2011

Ophthalamia - Dominion (1998)

Origem: Suécia

Estilo: Black/Death Metal

A preparação para uma mudança de domicílio quase sempre nos proporciona um resgate de coisas que estavam perdidas, ocultas no fundo de uma gaveta, ou dentro de uma caixa suja de papelão, e que uma vez trazidas à tona, carregam consigo uma torrente de lembranças de um tempo que, infelizmente, não volta mais...


Pois foi nessa situação que acabei encontrando 2 caixas de velhas fitas K-7 (se você tem menos de 18 anos de idade dificilmente deve ter visto esse arcaico e altamente perecível instrumento de reprodução sonora), todas gravadas na segunda metade dos anos 90, época mais headbanger deste que vos escreve. Algumas preciosidades que eu não ouvia a mais de uma década, a maioria esquecida do público do metal underground atual.


E o disco em questão é uma dessas jóias do metal extremo dos anos 90, abandonada às traças pelo tempo. O Ophthalamia tocava um estilo difícil de rotular, ora remetia ao chamado à época “death/black”, sendo os conterrâneos do Dissection a banda desse estilo a alcançar maior projeção no cenário mundial, ora apostava em um som mais cadenciado e melódico, enquadrando-se no falecido rótulo “Dark Metal”, lembrando os gloriosos momentos de “Triarchy Of The Lost Lovers”, obra-prima incompreendida dos gregos do Rotting Christ (cabe também uma resenha desse disco, hein Leonardo Milan!!).


Não se deve deixar-se enganar pela estranha faixa de abertura. Lenta e limpa, com uma guitarra solo bem melódica e vocal declamado, invoca uma atmosfera melancólica que acaba destoando um pouco do que vem a seguir. Eu acho a música excelente, mas parece ser mais um sintoma de uma doença típica que afetava as bandas da época, a famigerada “síndrome da introdução atmosférica”.


A segunda faixa, Time For War, já mostra o que se ouvirá por todo o álbum: Uma sucessão de riffs empolgantes e melódicos, com aquela pegada característica das bandas do chamado “Gothenburg Sound”, cozinha simples e eficaz, vocais rasgados típicos do black metal, e solos de guitarra econômicos e certeiros. As letras não fogem muito dos clichês do estilo: guerra, sangue, morte, escuridão, e o blábláblá de sempre. A velocidade das músicas é cadenciada, sem o uso de blast beats, privilegiando o peso dos power chords. A produção é excelente, pesada e cristalina, remetendo à produção de medalhões do metal sueco da época, como Hypocrisy e Dark Tranquillity.


Um excelente álbum de uma banda que passou batida pela mainstream metálico da época, merecendo uma revisitada por todo banger apreciador de sonoridades mais extremas. METALLL!!!!





Wendel Carvalho.

25 de setembro de 2011

Kool Metal Fest (São Paulo, 24/09/11)

A noite um tanto fria em São Paulo não assustou o público, e desta forma tivemos a casa (Espaço Victory) com uma excelente platéia para os shows.
O Kool Metal Fest, pelo que entendi (é a primeira vez que vou ao evento), sempre faz a mescla de metal pesado com outros gêneros adjacentes.
Cheguei ao local a banda Noala já havia tocado (sim, me perdi um pouco para chegar lá). O Hutt se apresentava, um grind core bem executado e empolgante, obtiveram ótima resposta do público.
Depois foi a vez do Bandanos, aí a noite fria esquentou de vez, vi a maior roda de pogo mas não pude entrar por possuir um péssimo histórico na modalidade. Trate de conhecer a banda, são muito bons no grind core crossover, já estive em uma apresentação deles e é sempre um show empolgante.
O thrash/crossover ficou por conta dos brasilienses do Possuído Pelo Cão. A banda é formada por integrantes do Violator, DFC e Terror Revolucionário, eles tem uma ótima presença de palco, sempre interagindo bem com a galera, deixando todos insanos com o som.
Em seguida os mineiros do Carahter trouxeram mais metal para o local, fazendo um thrash com pitadas de progressivo e alguma coisa de hc. O público não se empolgou tanto como nas bandas anteriores.

Já era 01:00h de domingo quando o Ratos de Porão entrou no palco para um show matador. A banda dispensa apresentações e só quem já viu o Ratos para saber a sensação de estar em um. O público foi ao delírio com vários clássicos. Uma pena que o show foi curto não durou muito mais de uma hora.

Os irmãos Kolesne demoraram um pouco para subirem ao palco, mas quando finalmente o fizeram, exibiram lá toda a brutalidade contida em suas músicas. Apresentação muito boa do trio gaúcho, com direito à participação do João Gordo em uma música do futuro álbum. O Krisiun é sem dúvida uma das maiores bandas de metal do Brasil, e em cada show pode-se perceber o motivo disto, tanto na execução perfeita das músicas como na interatividade com a platéia.
A apresentação deles também fora curta, e eu esperava mais músicas novas.

Sem dúvida foi uma noite para não se esquecer. Ótima qualidade, tanto da organização quanto das bandas do cast, só não no hot dog vendido por lá.

E ainda me perguntam se vou no Axé in Rio.

Krisiun no Maringuaça: aqui e aqui.



Leonardo Milan

Off Topic: Saiu uma resenha da minha antiga banda no whiplash.net, com apenas quatro anos de atraso.